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Obrigado Pe. André Ficarelli

Sempre tive o habito de me confessar às sextas. E em muitas ocasiões eu sempre encontrei o pe. André, homem que nem mesmo o tempo, a doença ou as adversidades fizeram com que perdesse a firmeza das palavras e o conhecimento religioso. Gostaria de deixar aqui, como forma de homenageá-lo, uma das minhas últimas entrevistas com ele. Fica a saudade desse homem de Deus.
 
Victor Augusto
 
“Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja" (mt. 16.16-19).

 
Ele não se chama Pedro, mas com seu trabalho, ajudou a edificar a igreja católica no Acre. Ele não se chama Pedro, mas escreveu com pedra, tijolos e cimento o nome do catolicismo entre nós.

 
No dia 12 de outubro de 1922, Reggio Emilia, Norte da Itália, nascia Nicodemo. Justamente no período entre guerras, cresceu, estudou e decidiu seguir a carreira religiosa.

 
Nicodemo decidiu ingressar na religião, pois não possuía condições de manter os estudos e queria seguir os ensinamentos de Deus. Não demorou muito e foi consagrado como Pe. André Ficarelli, que com apenas um ano após ser ordenado padre, o grande desafio. Vir para o Brasil, para a Amazônia. Mais ainda, vir ao Acre ajudar na evangelização de ribeirinhos, seringueiros e índios.

       
Antigamente, a igreja católica no Acre era vinculada ao Amazonas. Por decisão do Papa Bento XV, foi criada a prelazia do Acre, dando mais autonomia à igreja no extremo oeste da região.

 
Naquele tempo, faltavam prédios, construções para reforçar a presença da igreja no Acre.

Para erguer esses prédios, foi chamado um padre curioso e apaixonado por arquitetura e engenharia. Sim, esse era o já então, Pe. André Ficarelli.

 
“Sempre fui encantado pela maneira com que erguiam no nada, as mais belas edificações. E como tudo era limitado no Estado do Acre, tínhamos que utilizar de muita artimanha e criatividade” disse pe. André.

 
O primeiro trabalho encomendado já foi grandioso, construir a Catedral de Nossa Senhora de Nazaré. A catedral de Rio Branco, a catedral do Acre. Mesmo sem mão de obra qualificada e com material escasso, padre André começou o trabalho. O ano era 1958.
 

A catedral foi só o começo. Depois dela, vieram outras obras.  Além da capital, Rio Branco, os municípios de Xapuri e Brasiléia ganharam igrejas.
 

 
No segundo distrito de Rio Branco, construiu a igreja Nossa Senhora da Conceição e o colégio Imaculada Conceição.
 

Igrejas para a construção da alma, colégios para a construção de mentes, hospitais para a reconstrução dos corpos. As obras do padre André no Acre crescem,  para melhorar a vida da maior obra de Deus: o ser humano.
 

Padre André também ajudou na educação, criando o colégio Nossa Senhora das Dores, conhecido hoje como antigo Colégio Meta, onde foi o primeiro diretor. Logo depois criou o colégio São José.
 

Dom Giocondo Maria Grotti, então bispo de Rio Branco, vendo a carência em que o Hospital de Base e a Santa Casa se encontravam, pediu ao padre que elaborasse a criação de um novo hospital. Nascia o hospital Santa Juliana.

 
“Recebi a grande honra de elaborar e construir uma obra que ajudaria a população e surgia uma nova opção para buscar a melhoria da saúde. Obra que muito me orgulha. Todas as obras são como se fossem meus filhos” destacou André.

 
Construtor respeitado, padre André chegou a ser chamado para auxiliar em outras obras não ligadas à igreja. Como o prédio na esquina da Casa Natal do centro.

 
O sábio padre também passou por teste de fé no homem e quase morreu prematuramente, devido a ação de descontrole de um homem não identificado que jogou combustível sobre o corpo do religioso e ateou fogo.
 

“Tive mais de oitenta por cento do corpo queimado, tive longos dias de dor até que meu corpo inicia-se a recuperação. Médicos já haviam desenganado e a morte era certa. Mas Deus tinha planos maiores para mim e me permitiu permanecer mais tempo na terra” recorda o padre.

 
Após tantas construções, o padre ainda ficou marcado na historia da sua obra, foi ele o responsável em realizar o primeiro casamento na catedral, onde o primeiro casal foi um dos trabalhados da construção e sua jovem esposa.

 
Padre André acompanhou e ajudou no desenvolvimento do Estado, neste dia três de setembro de 2015, o Acre perde um grande homem, um grande religioso e um grande autonomista a construir a historia de um Acre de pessoas tão sofridas e guerreiras.
Prazer, Victor Augusto, 37 anos, acreano, jornalista e académico de direito. Por isso, criei este espaço onde compartilho minhas experiências e aprendizados. Afinal, acredito que conhecimento deve ser diário para nossa evolução. Por aqui, abordo assuntos sobre estilo de vida, com ênfase em levar uma vida baseada na informação, já que é minha área de formação e atuação.

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