Véspera de virada de ano e durante
o primeiro almoço a sós com minha mãe, me pegava olhando pro nada e na sequência
nos olhamos, avaliamos que foi um ano tão corrido que só conseguimos ficar
juntos no último dia do ano. Vemo-nos todos os dias, mas a única em que
sentamos tranquilos para conversar e relembrar do ano anterior, desde até
expectativas para o novo ano que se avizinha, essa foi à primeira vez.
Pela manhã já choramos um pouco
com a saudade do meu paizão. Passamos a manhã juntos na feira, no mercado, nas
lojas para depositar os cupons e almoçar. Recordamos que em anos anteriores, o
sinto era tão apertado, que evitamos até as simples confraternizações em família.
Não por não desejar está junto, mas o pouco que levaríamos, faria muita falta
no dia seguinte e até nos próximos.
Meus pais e avós eram donos da
cantina do colégio acreano, sempre que chegavam as férias escolares, ficamos
bem apertados, pois meu pai procurava saldar os salários e decimo terceiro dos funcionários
e o pouco que nos restava, economizávamos ao máximo para passar de dezembro a
fevereiro. O que ainda nos auxiliava eram as encomendas de final de ano e o
cheque que minha tia emprestava para nos ajudar, outra que dividia o pouco do
que tinha conosco.
Mesmo com tanta maestria em lidar
com o pouco recurso que estava a nossa disposição, tinha dias que nossa
geladeira parecia um coqueiro, só tinha água. Também tínhamos sorte de nos da
bem com os donos de comércios próximos a nossa casa, que seguravam a nossa peteca
até o retorno das aulas.
Hoje não temos mais o meu velho,
minha mãe assumiu tudo que era dele, dividiu tarefas comigo e minha irmã. Hoje
tive a possibilidade de pagar sozinho a feira de ano novo, encher nossa
geladeira, participar das cotas de festas em família sem precisar nos preocupar
em como arrumar dinheiro para tentar pagar a alimentação de amanhã.
Deus tem nos honrado com tantas bênçãos.
O momento é de confraternização, mas para nos é de gratidão. Gostaríamos de ter
o Manoel Coelho aqui conosco em vida, mas está ao lado do Pai olhando para nos.
Agradeço a minha tia e madrinha Rosângela Coelho por sempre está conosco, a
todos os meus familiares e amigos, que sempre estiveram conosco e se empenharam
tanto em nos ajudar no inicio deste ano que se finda.
Obrigado a cada amigo que me
ajudou quando mais precisei. Obrigado a cada familiar que se doou e envolveu
com a primeira Feijoada dos Farias. Por tudo isso que meus parentes de sangue e
de coração fizeram, só tenho a agradecer e reforça, MUITO OBRIGADO e FELIZ 2016
!!!


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