Minha família é uma mistura de um portugueses com nordestinos e também de pessoas trabalhadoras, como meus avôs, o seringueiro Francisco Thaumaturgo Gonçalves de Farias e a professora Almira Aves Coelho. Ambos ralaram muito para criar os sete filhos. A nossa história começou pelo município de Jordão (o mais distante do país), de lá migraram para Tarauacá e por fim a capital, Rio Branco.

Em Rio Branco minha avó lecionou em alguns colégios, o último e mais importante foi o Colégio Acreano, onde ela comprou a cantina e findou seus dias trabalhando lá até o ano de 1996. Após a morte dela, meu avô teve sete AVCs e meu pai decidiu que deixaríamos nossa casa para morar com ele e cuidar, pois a doença o deixou debilitado e limitado.

O motivo desse relato foi para aproveitar o momento de recordações feitos a partir de uma pergunta da amiga Brenna Amâncio, ao me questionar o porque de eu gostar de músicas bregas e cheias de sofrência. E claro, existe um momento especial para mim.

Sempre fui de acordar muito cedo, quase madrugada. Como mudei de casa e via meus pais trabalharem o dia todo e ainda se dedicarem a cuidar do meu vô, vez por outra eu fazia graça e tirava ele do quarto e o levava para sala de casa, como ele gostava. Não o fazia sempre pois tinha medo de não ter forças para levanta-lo, pois só tinha nove anos.

Via todo o carinho e dedicação que meu velho dava ao pai dele e cresci prometendo que também cuidaria dele ao chegar seu tempo. Mas o que eu gostava de estar na madrugada era puxar conversa com meu avô, afim de ajudar ele a exercitar a fala e os movimentos físicos. Enquanto isso acontecia, sempre ouvíamos o velho radinho de oito canis dele.

Nas madrugada sempre tocavam aquelas músicas mais românticas e mais animadas, todas voltadas para o homem do campo e quem sabe os amantes. O certo é que eu passei a gostar daqueles estilos tocados na Difusora Acreana, Alvorada e Gazeta FM. Hoje sou fã do Rei Roberto, Reginaldo Rossi, Núbia Lafyete e por ai vai.

Muito dos meus pais eu carrego comigo e o que pude memorizar dos meus avôs, também trago na lembrança com aquele gostinho de saudade e se vivos fosse, hoje tenho certeza de que estaríamos sentado na sala ouvindo o velho rádio enquanto a vizinhança passava na rua.