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Amor em cinzas

O bumbo começa a desacelerar, as cornetas a silenciar e na avenida só ficou penas, purpurinas e as cinzas do carnaval. A festa das festas e os prazeres da carne se encerraram. A última parte só diminuiu, tem gente que segue o ritmo até o outro esquenta.

Você levanta no dia seguinte com aquela vontade de que emendem o carnaval com a semana santa, pois está um calor, de quem está atravessamos o deserto do Saarah e quem vai passando a ponte a pé, o sol vai queimando a cara. Mas no meio da pinguela encontra aquela pequena que se cair na rede é peixe e você não pode bobear.

Pelas ruas ainda nos deparamos com um ou outro que ainda insiste nas machinhas. O assaltante que continua a entonar “ei você ai, me da o dinheiro ai, o carro ai, o celular ai e tudo que tiver ai”.

Quantos bustos suculentos, quantas curvas perigosas e quantos cabras querendo ser o que não são, e que alivio que a concorrência diminuiu. Oi? Concorrência? O carnaval está um verdadeiro perigo para se amar. Homens vestidos de mulheres, usado a época pra se soltar e as lindas donzelas achando que o macho alfa está em falta, já se relacionam ainda mais com elas mesmas. Pai perdoo-as elas não sabe que a culpa é da geração Just Bieber e não da minha geração Reginaldo Rossi.

Saudades dos tempos que eu saia de turma pra Gameleira e bastava uns flertes para o beijaço acontecer. Onde foi aquele amor eterno até o próximo trenzinho? Os carnavalescos firam chatos, politicamente chatos. Estes carnavais se você olhar pra uma bela rapariga é arriscado a apanhar da namorada, sim da NAMORADA. Os demais gladiadores aceitam a desculpa que a gente não sabia que a moça estava acompanhada.

Os operários do amor estão em crise, sejam os cuecas pintadas ou bacorinhas acesas. Até a turma do funil sumiu, ela preferiu ficar em casa ou se retirou. Já não se fazem carnavais como antigamente. O amor de carnaval virou cinza no primeiro esquenta.

Como ter historia para contar se ninguém sabe mais vivenciar. O pais e os corações estão em uma grande crise. Para os próximos festejos corremos o risco de vê propagandeado “Brasil. Um pais do Carnaval – ame ou deixe-o”. 
Prazer, Victor Augusto, 37 anos, acreano, jornalista e académico de direito. Por isso, criei este espaço onde compartilho minhas experiências e aprendizados. Afinal, acredito que conhecimento deve ser diário para nossa evolução. Por aqui, abordo assuntos sobre estilo de vida, com ênfase em levar uma vida baseada na informação, já que é minha área de formação e atuação.

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