O
bumbo começa a desacelerar, as cornetas a silenciar e na avenida só ficou
penas, purpurinas e as cinzas do carnaval. A festa das festas e os prazeres da
carne se encerraram. A última parte só diminuiu, tem gente que segue o ritmo
até o outro esquenta.
Você
levanta no dia seguinte com aquela vontade de que emendem o carnaval com a
semana santa, pois está um calor, de quem está atravessamos o deserto do Saarah
e quem vai passando a ponte a pé, o sol vai queimando a cara. Mas no meio da pinguela
encontra aquela pequena que se cair na rede é peixe e você não pode bobear.
Pelas
ruas ainda nos deparamos com um ou outro que ainda insiste nas machinhas. O assaltante
que continua a entonar “ei você ai, me da o dinheiro ai, o carro ai, o celular ai
e tudo que tiver ai”.
Quantos
bustos suculentos, quantas curvas perigosas e quantos cabras querendo ser o que
não são, e que alivio que a concorrência diminuiu. Oi? Concorrência? O carnaval
está um verdadeiro perigo para se amar. Homens vestidos de mulheres, usado a época
pra se soltar e as lindas donzelas achando que o macho alfa está em falta, já se
relacionam ainda mais com elas mesmas. Pai perdoo-as elas não sabe que a culpa
é da geração Just Bieber e não da minha geração Reginaldo Rossi.
Saudades
dos tempos que eu saia de turma pra Gameleira e bastava uns flertes para o
beijaço acontecer. Onde foi aquele amor eterno até o próximo trenzinho? Os carnavalescos
firam chatos, politicamente chatos. Estes carnavais se você olhar pra uma bela
rapariga é arriscado a apanhar da namorada, sim da NAMORADA. Os demais gladiadores
aceitam a desculpa que a gente não sabia que a moça estava acompanhada.
Os
operários do amor estão em crise, sejam os cuecas pintadas ou bacorinhas acesas.
Até a turma do funil sumiu, ela preferiu ficar em casa ou se retirou. Já não se
fazem carnavais como antigamente. O amor de carnaval virou cinza no primeiro
esquenta.

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