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Dois fios

Em minha família, sempre brincamos com as mudanças e chegadas das novas idades. Levamos um fator comum na vida de cada um, na maior gozação. A proximidade da nova idade nos coloca a recordar os momentos já vividos, como os tempos difíceis, os tempos de alegria, os tempos de tristezas, os tempos de perda e os tempos de renovação.

Desde sempre fomos de tirar graça com meu saudoso pai, a cada ano ou mesmo nos finais de semana, quando ele encostava sua cabeça em minhas pernas ou de minha mãe, ele pedia para tirar aqueles teimosos dois fios de cabelo branco. Minha mãe ficava revoltada, pois tinha que pintar os dela, enquanto os dele, só eram aqueles dois.

Todos riamos muito das gaitadas que meu pai dava ao achar graça dos reclames de minha mãe, ele sempre afirmava que o motivo de seus cabelos não ficarem brancos, se devia ao fato de ele utilizar o sabão de coco.

Essa semana enquanto escovava os dentes, me recordava de coisas do meu dia-a-dia e que este ano serei um Balzacquiano, ao me olhar no espelho, notei algo diferente em mim, em meu queixo surgiam dois fios brancos. Comecei a rir sozinho do momento.

Assim como todo mundo, tenho umas neuras em desejar deixar algo de bom que tenha feito em vida para os que vierem depois de mim, saberem que trabalhei por algo que levasse alegria, esperança, carinho, conforto e ajudasse a determinar o bom caráter, assim como meus pais e os de muitos de minhas amizade e familiares desejam deixar.

Notei que meu pai foi tão presente em tudo, que mesmo após quase três anos de sua partida para o plano divino, ele nos deixou tudo o que desejo repassar. O Manoel Coelho era bom. Ah se era!
Hoje noto os primeiros dois fios na barba e quem sabe daqui uns dias, meses e até anos, logo a poeira do tempo deve me cair sobre a cabeça e passar a experimentar a graça das tinturas ou apenas exibir minha experiência de vida neste mundo. Sinto falta do meu velho para dividir as alegrias e até angustias. Espero poder chegar a ser mais velho do que meu pai foi e poder ajudar a passar o legado da primeira geração as gerações seguintes, sejam elas de minha família ou da família que escolhi como minha (amigos).

Enquanto os dias vão passando lentamente ou na velocidade que nem percebemos que já é noite, vamos aproveitar os dias para sempre sermos os melhores no que temos, somos e fazemos, sem jamais desrespeitar ninguém. Que venham os dois fios!

*Victor Augusto (Bombonzão) é jornalista

Email: victor.ojornalista@gmail.com
Prazer, Victor Augusto, 37 anos, acreano, jornalista e académico de direito. Por isso, criei este espaço onde compartilho minhas experiências e aprendizados. Afinal, acredito que conhecimento deve ser diário para nossa evolução. Por aqui, abordo assuntos sobre estilo de vida, com ênfase em levar uma vida baseada na informação, já que é minha área de formação e atuação.

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